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Em tempos de eleições, a pergunta que nos fazemos e que outros também nos fazem é se já sabemos em quem votar. Aqueles que são mais antenados em relação a esse assunto, acompanham campanhas e debates, sabem dizer as propostas de seus candidatos e até dos seus oponentes. Mas, aqueles que não são tão atentos a política (assim como eu) se decidem o mais próximo das eleições possível, sem talvez nem saber corretamente aquilo que seu candidato está apresentando como proposta. Arrisco ainda dizer que devem haver aqueles que se decidem em cima da hora através de um folheto que pega no chão ou o palpite de alguém próximo. 

O interessante que elegemos um candidato e depois não temos mais nada com ele. A partir do momento que este foi eleito, o papel do eleitor passa a ser apenas ficar esperando que ele cumpra tudo aquilo que prometeu. Se alguém nos pergunta, sabemos dizer qual foi a nossa escolha, mas não precisamos mais suar nossa camisa nem um pouco para lutar pelos ideais que defendemos através de nosso candidato. 

Acho que muitos fazem de Jesus um modelo de candidato político-religioso, onde a partir do momento que o elegeram, não precisam fazer mais nada, apenas recorrer a ele como se estivesse cobrando algo em troca pelo seu voto dado. O elegem como seu candidato para quando perguntarem sobre seu voto, dizerem: "Eu votei em Jesus, eu já o escolhi como minha religião, eu tenho ele no meu coração."

Precisamos entender que Jesus não é um candidato, ele não precisa do nosso voto para se tornar algo. Ele é o Rei que não quer a nossa "aprovação", ele quer a nossa devoção, quer pessoas que mudarão seus valores e o seguirão.

O evangelho não é algo para ser somente aceito, é para ser seguido e praticado. Muitos estão praticando a religião dizendo: "Eu já votei nele. Jesus é meu candidato", mas quem disse que é somente isso que ele quer?

Cada dia que passo lendo o novo testamento e observando a vida de grandes homens e de Jesus, tenho maior certeza de que Jesus veio para mostrar um novo estilo de vida, habitar e liderar um grupo que estava disposto a viver a mesma vida que ele viveu, com os mesmos valores e ideais. Ele veio para ser seguido e imitado. 

João 14
12 Digo a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.
Estive assistindo, esses dias, um filme baseado em fatos reais que conta a história de um revolucionário espanhol. Ultimamente tenho tido a vontade de saber mais sobre pessoas que viveram por uma causa, e quando li a sinopse desse filme fiquei curioso e o comprei. Aceito indicação de outros filmes sobre o assunto. 

Fico admirado com a história de homens que acreditaram em um ideal e vestiram a camisa em defesa disso. Acho interessante como algo que nasce no coração de uma pessoa ou de um grupo pequeno pode alcançar multidões. No filme que assisti, os rapazes cometiam assaltos para financiarem a expansão de seus pensamentos. 

Acho interessante que pessoas que vivem por uma causa, abrem mão completamente de um estilo de vida convencional onde a preocupação é o consumismo, o comodismo, o bem-estar próprio, para gastarem sua vida inteira em defesa de um ideal. Eles nem sempre serão recompensados financeiramente por aquilo e talvez nem sejam reconhecidos pelo que buscam, mas o que importa?! Eles não lutam pela divulgação de seu próprio nome, mas pela divulgação de uma causa. 

Fiquei pensando, será que não era isso que Deus queria que nós, os cristãos, entendêssemos e vivêssemos, e nós não entendemos? Será que estamos nos comportando de maneira religiosa, achando que somos grandes revolucionários porque andamos com a bíblia debaixo do braço nos finais de semana, e passamos a semana inteira em busca das mesmas coisas que todos no mundo buscam, enquanto Deus nos olha e pensa que poderíamos estar fazendo muito mais, poderíamos viver por essa causa, viver pela fé?!

O maior exemplo que temos, Jesus, disse em João 6:38 que veio não para fazer a sua vontade, mas para fazer a vontade daquele que o enviou. Jesus tinha uma vontade própria, mas decidiu viver por uma causa que ia além dele mesmo. O apóstolo Paulo é outro exemplo. Paulo diz em Filipenses 4:21, que para ele o viver seria Cristo e o morrer seria lucro. Ele não tinha mais nada que o motivasse mais a viver do que a pregação da mensagem de Cristo. Em Filipenses 3, Paulo falando sobre coisas naturais que qualquer um almejaria alcançar, diz: "7 Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. 8 Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo 9 e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé." A pergunta é: Será que estamos entendendo e seguindo corretamente nossos exemplos deixados?

Não sou contra a prosperidade, aliás desconheço o evangelho da miséria. Mas, aprendi que prosperidade é não ter falta de absolutamente nada enquanto percorro a carreira que me foi proposta, e não, algo que eu me concentre para conquistar. Isso, o meu trabalho pode fazer. 

Não quero ser sensacionalista, mas vamos imaginar os cristãos sendo como Paulo ou como qualquer outro grupo que você conhece que vive por uma determinada causa. Imagine os cristãos unidos por um propósito sem se importar com um "tipo de vida tradicional" levada pelo mundo e imposta pela mídia. Imagine um grupo onde a única coisa que importa é a propagação do evangelho e que a medida com que mais um seja conquistado pra esse grupo, o grito vai se tornando mais forte. Imagina um grupo revolucionário, que crê no que diz, vive por isso e que ao invés de fazer somente barulho ou qualquer tipo de vandalismo, tem como sua maior arma O AMOR. Acho que o mundo já teria sido ganho, e você? 

Será que não foi assim que Deus tentou nos ensinar que deveria ser?

Para refletir e opinar!


Foi publicado também em gabrielfelix.com 

Eu não me lembro de ter lido na bíblia sobre alguma passagem onde Jesus tivesse que implorar para que o recebessem, ou pelo menos que ele insistisse em forma de debate para que alguém o seguisse. Não me lembro de ter lido algo sobre Jesus tendo que oferecer um atrativo além da Palavra viva e a manifestação de poder do Espírito Santo de Deus para que pessoas se decidissem por caminhar a seu lado. 

O evangelho não pode ser mendigado. É claro que a nossa vontade é que todos venham ser salvos e essa também é a vontade de Deus (II Timóteo 2:4). Porém, o fato de ser a vontade de Deus não o faz violar a vontade do outro. Parece estranho, pois como pode algo que Deus deseja não acontecer? Mas é explicável pelo fato de que Deus é amor (I João 4:16) e o amor (ou Deus) não busca seus próprios interesses (I co 13:5).

Jesus era simples, pregava a Palavra e a ensinava com unção, não fazia mais que isso para que as pessoas pudessem segui-lo e o aceitá-lo. As vezes parece que para compensar a falta disto, buscamos atrativos, inovações e quando o "público" está presente ainda temos que implorar ou usar todo nosso poder de persuasão para que alguns, enfim, possam se decidir por algo que irá mudar a vida deles para sempre. Isso parece ou não mendigar o evangelho?

O nosso papel como cristãos é, assim como Jesus, amar as pessoas, apresentar o evangelho da salvação e ser um canal para operação do poder de Deus através do Espírito Santo que habita em nós, porém, para compensar a nossa falta de atitudes, por vezes queremos convencer com palavras.

I Coríntios 2
4 Minha mensagem e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram em demonstração do poder do Espírito Santo, 5 para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.

Quando começarmos a demonstrar o poder, não precisaremos mais mendigar a aceitação de nossas palavras.


Foi publicado também em gospelmais.com.br 

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